Entenda porquê o banco central decidiu lançar a nova cédula de R$ 200,00
A nova cédula deve começar a circular em agosto de 2020.
Na quarta-feira, dia 29, o Banco Central anunciou que colocará em circulação uma nova nova cédula, a de R$ 200,00.
De acordo com o economista Josilmar Cia, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, houve um aumento a demanda por papel moeda. As pessoas e empresas estão mantendo um montante maior de cédulas do que costumavam antes da pandemia.
Essa demanda maior por papel moeda se deve a uma maior poupança precaucional por grande parte das pessoas que estão recebendo o auxílio emergencial de R$ 600 mensais e que não têm conta bancária. Diante das incertezas econômicas que essas pessoas estão passando, elas buscam gastar hoje o mínimo necessário.
De acordo com o professor, o isolamento social também contribuiu. “Boa parte das pessoas deve ter diminuído a frequência de saques, fazendo com que aumentasse o valor de cada saque e o valor médio mantido em papel moeda em suas casas. Outra possibilidade é que esse aumento da demanda por moeda seja puxado, pelo menos parcialmente, por uma maior informalidade da economia.”
Banco Central
O Banco Central, por sua vez, está aumentando a oferta de papel-moeda, isto é, imprimindo mais cédulas e colocando em circulação.
De acordo com Josilmar Cia, imprimir cédulas de R$ 2 ou R$ 200 custa praticamente a mesma coisa, mas para atender a uma determinada demanda pode-se diminuir o custo total imprimindo cédulas de R$ 200, porque a quantidade de cédulas impressas é menor do que fazê-lo com notas de R$ 2.
“Se o foco for excessivo na minimização do custo de imprimir dinheiro, poderá impactar na falta de cédulas de menor valor para facilitar o troco”, afirma.
Contudo, ele acredita que há uma chance de que essa seja a última nota nova de real a ser criado por um bom tempo. Pois, com a implantação do PIX (sistema de transferência eletrônica instantânea do Banco Central, que deve entrar em operação esse ano) e com uma política de bancarização voltada para pessoas que estão necessitando do auxílio emergencial e não tem conta bancária, a demanda por papel moeda deve cair muito.
“Nessa realidade, que não está tão distante, a falta de troco será coisa do passado e guardar dinheiro debaixo do colchão talvez se torne uma expressão que poucos entenderão”, conclui.
